sexta-feira, 6 de março de 2009

Poema

Ser mãe é um poema. A gente respira poema. A gente se sente poema.

Uma amiga, a qual acreditem, não conheço pessoalmente, escreveu algo muito lindo, que compartilho aqui com vocês!

Tenho certeza que a alma dela sorriu e a inspiração nos deu essa delícia. Obrigada Kalu, por compartilhar conosco! Me sinto assim também, com minhas filhas lindas!

“O poeta tinha razão: só as mães são felizes. Ainda não sei de qual pó mágico colocaram nesta relação que faz com que eu me encante com uma palavra com letra trocada. Adormeço ouvindo o mantra de sua voz fininha tentando dialogar ainda muitas vezes em língua desconhecida que por vezes fico a traduzir. E nos seus espaços, tento redescobrir meus papéis que parecem borboletas ululantes a buscar flores em um mundo de pedra.

Me encanto com a pequena mão que me acaricia a noite só para saber se estou mesmo ali. Sinto falta de dormir ao seu lado, e a noite, algumas vezes, desperto só para ver seu semblante dourado a dormir.

Às vezes choro sozinha, com um calor de saudade que brota no peito, lembrando do seu pequeno corpo aninhado junto ao meu, nas longas noites que passei balançando você para lá e para cá, murmurando palavras de amor no seu pequeno ouvido. Eu não tinha pressa que você crescesse e pude saborear cada sobremesa oferecida com a calma de uma velha alma. Os primeiros movimentos sozinhos, os passos segurando firme suas mãos e sustentando seu caminhar com o olhar mais admirado, sabendo que agora o sol incide em seu céu e lhe une a Deus.

E o meu néctar, minha alma que lhe ofereço sem pressa que você parta, com a doçura de uma fêmea que certa está da melhor caça. Vejo você saltar, correr, sorrir e brincar como um pequeno mamífero que dia a dia começa a escrever sua história com suas próprias palavras e sorrisos. Eu me descubro poeta de seus poros, bailarina de seus ruídos. Você é uma linda obra de arte que inspirei-me em um inverno para te trazer para o verão.

Assim como as flores que chegam na data de tua vinda, sempre saberei que estás lá, crescendo como um pássaro encantado, cada vez que a frondosa Acássia despejar suas flores amarelas, me lembrando do inevitável tempo de nascer, que pode ser mágico e intenso como foi sua chegada.

E no novo verbo que conjugo agora aprendo o equilíbrio da mulher, amante e criança, buscando uma rima para o maternar. Às vezes só encontro no verbo universal. Todos os meus atos, falas, textos e poemas rimam com amar. Verbo batido mas que hoje faz todo sentido nesse meu sonhar.”

Nenhum comentário: