quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Um sopro no ouvido...

Comigo a maternidade foi bem interessante. Mudou completamente minha forma de ver a vida, de sentir a vida, de relacionar com as pessoas, de pensar o futuro. Mudou a ordem de importância e prioridade das coisas, me fez dar mais valor ao singelo, simples, aos momentos. Me fez ver a importância do SER e a ignorância do TER.

Confesso que nunca parei para racionalizar tudo isso. As crianças nasceram e cheias de sí ocuparam todo o espaço na minha vida.

Nicole veio e encheu a casa. Era apenas um bebe, mas como trouxe vida e luz para mim... Cada dia fazia cada coisa mais bonita e a cada dia preenchia mais a minha vida. Eu sempre achava que não havia espaço, mas os filhos são assim: ocupam o lugar que nem sonhamos que temos. É como se fosse o cerebro: quando você acha que aprendeu tudo, consegue aprender mais. Com os filhos, quando se acha que está plena e cheia de amor, você não sabe como, mas sente mais. Nicole foi crescendo, interagindo e hoje já é uma boa companheira. Fazemos passeios juntas, compras, conversamos sobre tudo, brincamos, discutimos, choramos e rimos.

Yasmim também, chegou arrasando já. Nem quis saber se era ou não a segunda filha. Veio para mostrar que tem o seu lugar. Conquistou o coração de todos com seu jeitinho cativante. Levada, mostra a todos que sabe o que quer e luta para ter o seu espaço. É super carinhosa também e já mostra um certo ar de "eu que mando nesse pedaço aqui".

Ambas me trouxeram tantas coisas, que nem consigo citar tudo. Me tornei mais flexível, ao mesmo tempo que, com certos assuntos, inflexível. Me tornei mais humana, mais gente, mais amor. Mais tolerante, mais mulher. Mais cuidadosa, mais preocupada e em contrapartida, mais segura.

E tudo vai acontecendo de forma que você não vê. Um belo dia, você assunta e está sentada, com cada filha em um braço, sentindo tanto amor que quase flutua (ou flutua mesmo)...

Um dia, um anjo vem e sopra ao seu ouvido: Veja sua família. Veja suas filhas. Preste atenção no seu lar.

E como seu eu flutuasse, eu subo um pouco e vejo a cena. Estamos todos no quarto, brincando com brinquedos, interagindo e vejo Nicole ensinando algo para a irmã e o pai ali, parado com aquele sorriso de meia boca, abismado com as filhas que tem. Vejo a mãe (eu) sentada com todos, esperando que as filhas concluam aquele momento para poder me juntar a elas. Sinto que todo o ambiente está envolto numa luz brilhante, branca, com alguns tons roza, azul e verde. Não há lugar para qualquer sentimento ruim ou pensamento desta natureza. Há sim, uma atmosfera de respeito, união, amor. Tudo flui. A energia é vibrante. Há uma música linda no fundo e o olhar de todos brilha, como se fosse reflexo da luz. Os gestos são calmos. As mãos acariciam. O peito acolhe. A respiração é profunda e calma.

Obrigada Senhor por me dar este presente. Poder perceber isto acontecendo em meu lar é um grande presente, uma dádiva, uma benção.

Um comentário:

Rê Guerra disse...

LINDO!!!!!!!!!!!!!!!