Nicole passou por uma virose bem brava. Muito vômito, diarréia e febre....febre...febre!
Ela, a bendita febre.
Há algum tempo comecei a pesquisar sobre a febre porque li um capitulo interessante no livro “Memorias de um Homem de Vidro” do obstetra humanista Ricardo Hebert Jones.
Aquele capitulo tratava a febre sobre um olhar diferente. O olhar que os médicos homeopatas e antroposóficos e até alguns alopáticos olham.
Enfim, fui fuçar. Li, pesquise, li de novo, conversei com um, com outro, com o nosso homeopata, com o pediatra alopático antigo das meninas, troquei idéias com minhas amigas de caminhada mamífera e descobri que:
-febre é bom. Febre é a resposta do organismo frente ao agente invasor, no caso da Nicole, O VIRUS;
-a febre deixa a criança amuada e isso é bom porque assim, economiza-se energia para o combate à ele: O VIRUS;
-na febre, a criança perde muito o apetite principalmente quando a virose é de causar diarréia e vômitos e de novo, isso é bom pois o corpo precisa de energia para combater ele, O VIRUS e não pode gastar digerindo aquele angu que a avó fez com tanto carinho para a criança se alimentar;
-a 36 graus o vírus se multiplica muuuito, á 38 reduz a multiplicação pela metade e a 40 graus quase não se multiplica mais;
-as convulsões febris são bem específicas e não acontecem em todos que tem febre alta. A criança predisposta a ter convusão febril pode te-las ao mínimo sinal de alteração da temperatura. As crianças que não tem pré-disposição a ter convulsão e tem, geralmente não trazem nenhuma seqüela, fora o susto dos pais;
-o antitérmico mascara o estado de saúde da criança. Ela toma o medicamento e fica saltitante e a mãe acha que está tudo bem, quando na verdade, tudo vai mal, pois ao invés de combater a doença a energia está sendo gasta de outra forma.
E algumas coisas que aprendi com as experiências aqui em casa:
-quando não administramos medicamento para a febre (antitérmico) os perídos de febre duram no máximo, máximo mesmo 3 dias. Quando administramos, chega à uns 7 dias;
-o corpo das crianças é muito inteligente e arrisco a dizer, que é até mais que o nosso pois ele sabe a hora de comer, de beber, de dormir. Se a gente deixa a “coisa” fluir, a criança irá comer o tanto que precisa, beber o tanto que precisa e descansar o tanto que precisa;
-criança com febre sente dor em todas as partes do corpo. Nesta última virose Nicole sentiu: dor de cabeça, dor no dedo indicador da mão esquerda, dor no dedo médio de pé direito, dor de barriga, dor de cotovelo (no cotovelo mesmo), dor de bochecha (é isso mesmo, a bochecha dela doía), dor atrás do joelho esquerdo, dor na perna direita.... TODAS AS DORES vão embora assim que a febre passa.
-quando a gente opta por deixar o corpo das crianças trabalhar para vencer a doença precisamos trabalhar nossa estrutura emocional para não sucumbir e não DESESPERAR, porque eu sei (tenho duas filhas) que criança com febre é fooooooogo. Chora muito, choraminga muito, quer muito colo, quer muita atenção, quer paciência, quer sarar, quer, quer, quer.
-não dá para deixar a febre fazer o trabalho dela e ir trabalhar. Se tiver mesmo que ir trabalhar, melhor medicar (minha opnião) porque a opção de não medicar requer muita atenção, observação, cuidado, paciência e mãe por perto, afinal, quando a gente está doente QUEREMOS A MAMÃE.
-é necessário aprender que as vezes a gente não dá conta de tudo. Talvez o processo febril esteja doloroso demais para a criança a ponto de atrapalhar a evolução da cura ou talvez os pais precisem de 4 horas de descanso. É muito sutil a avaliação, mas eu aprendi que as vezes me permito dar o antitérmico sim.
-qualquer que seja sua decisão, esteja firme nela pois aparecerão váaaarios palpiteiros dizendo o que seria melhor fazer;
-o banho morno abaixa a febre mais rápido que o antitérmico (caso seja necessário abaixar a febre rápido).
-folhas de couve embaixo do lençol ajudam a diminuir a febre, caso isso seja necessário (e as vezes é...)
Bom, com tudo isso que aprendi e experimentei, não dá para voltar atrás.
Nesta virose da Nicole passou pela minha cabeça (confesso) desistir disso tudo e fazer como a maioria das pessoas fazem: medicar, medicar e despreocupar.
Foram 3 noites sem dormir, 3 dias de pura dedicação com Nicole e tentativa de atenção para a Yasmim, febres altas (o termômetro bateu no 40graus e ai, demos o banho e logo após o atitérmico), muitas idas ao banheiro, muitas dormidas dela durante o dia, muito colo, muito aconchego e muita preocupação.
É muito tudo e serve para esgotar uma mãe. Dá vontade de desistir? ... Dá sim.
Mas informação é um caminho que não tem volta.
Como eu posso desistir de tuuudo que sei (e sei pouco ainda) e optar pela pior escolha?
Se eu sei que este processo de adoecimento e recuperação é importante para saúde das minhas filhas, por mais difícil que seja passar por eles, não posso priva-las disso.
São 3 dias que passam rápido.
E o resultado? Compensa.
Assim que a doença acaba você se depara com seu filho mais feliz, esperto, alegre e saltitante que já viu. Ele esbanja saúde e você tem a certeza que fez o melhor que pode.
Como se diz por ai: eu garanto. Já fiz os dois caminhos e assim, acho 1000 vezes melhor. Sempre que posso, convido a uma mãe a experimentar. Experimente conhecer o corpo do seu filho. Experimente conhecer seu limite.
Quando comecei a tomar coragem para isso, o termômetro chegava no 38,5 graus e eu desesperava. Desta vez, o termômetro bateu nos 40 graus. Fiquei hiper super mega ultra preocupada, mas não desesperei. Fiz o que tinha que fazer e conheci a capacidade de se curar de minha filha! Eu nunca a vi tão feliz como agora, que venceu mais esta doença!
quarta-feira, 14 de julho de 2010
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2 comentários:
oi Lê!
Simplesmente adorei o que vc escreveu! E agora te admiro ainda mais como mãe dedicada que vc é! E corajosa, tenho que dizer!!!
O Lucas passou um episódio assim, com febre, mas nem chegou aos 40, e eu fiquei muuuito preocupada. Acho que não conseguiria não medicar.
Tb dou banho morno, essas coisas, e as febres dele sempre passam em 3 dias (mas eu dou o antitérmico quando ela está alta).
Parabéns pela coragem! Vc tem mta razão quando diz que a informação é um caminho que não tem volta. É bem isso aí ;)
***
Que bom que a Nicole já melhorou!!!
Oi Ju. Obrigada pelo carinho.
Passo sempre lá no seu blog, apesar de não comentar...a vida é uma correria só.
Jú, eu acho que é um processo sabe. Não me vanglorio de deixar a febre chegar a "tantos graus", porque é bem complicado deixar o corpo agir. Dá muita preocupação sim, mas a gente aprende, com o tempo.
Vai fazendo um teste. Vendo os limites seus e do seu filho. Ambos sairão mais fortes do processo "doença".
Beijos e mais uma vez obrigada pelo carinho!
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