Freqüentemente ouço mães profissionais, amigas minhas, dizendo que os filhos reclamam muito na hora que elas saem para o trabalho. Principalmente após um final de semana gostoso ou uma férias deliciosa. As vezes os filhos não falam com palavras, mas com o corpo. Choram, ficam tristes ou adoecem. As vezes ignoram as mães e passam a querer a companhia de outro.
Fico pensando em quais outros sinais seriam necessários para que a gente entenda bem o que está acontecendo. E quando falo isso, penso em mim. No quanto demorei para perceber algumas coisas, para entender que meu lugar era outro, meu trabalho outro, minha remuneração outra.
Eu compreendo fortemente, do fundo do meu coração, aquelas mães que precisam trabalhar. Eu entendo que nós vivemos em uma sociedade cujo dinheiro nos ajuda a viver.
Mas sempre chamo para a reflexão, do quando o dinheiro está passando de coadjuvante, para ator principal. De quando o dinheiro se torna imprescindível, de quando o dinheiro se torna indispensável. E de como fazemos um circulo vicioso em torno de ter trabalho e ter dinheiro. De quando o dinheiro se torna nosso motivo de vida. Ai é perigoso.
Fico pensando no que mais uma criança, com sua pequena idade e vivencia e grande sensibilidade, pode dizer para se fazer entender.
Vamos pensar. Quem de nós, consegue pedir, com todas as letras para um grande amor, que ele não vá embora? Quem de nós consegue chorar numa despedida? Que de nós diz, para o amor, que ele é imprescindível e que sem ele você adoece, fica triste? Quem de nós, se expõe desta forma? Conseguimos nos confortar com a notícia de que a ausência é temporária e se contenta em ver e abraçar seu grande amor apenas poucas horas do dia? Conseguimos ter o nosso amor pela metade ou menos da metade, nos primeiros 4 ou 5 anos de paixão?
Já dizia a música de Almir Sater: “é preciso amor, para pulsar; é preciso paz para sorrir; é preciso chuva para florir”.
A criança, quando nasce precisa da mãe. Tanto para alimento do corpo, quanto alimento da alma. Durante a primeira infância, como reafirma vários estudos de psicologia, a criança é voltada para si e família. É um processo gradativo de autoconhecimento. Primeiro ela se vê como parte da mãe. Ela é a mãe e a mãe é ela. Não há diferenciação. Depois ela passa por uma fase narcísica, quando ela percebe que ela não é a mãe, que é um ser separado, porém ela é o centro do mundo, de todos, da atenção. Então, ela começa a entender que existem os outros, que ela pode ter prazer em outras interações. E lá pelos 4/5 anos ela começa a se transformar num ser social, já que ela se conhece bem, começa a aprender a relacionar com o outro. Demora um pouco, talvez a vida toda (rs) para ela estar pronta para os relacionamentos. Na verdade, em nossa vida, estamos em constante evolução. Tem hora que só olhamos para fora, hora que tentamos olhar pra dentro, oscilamos, variamos, vamos e vimos. Mas o mais importante disso tudo é a preparação para a vida.
O plantio é opcional, mas a colheita obrigatória. O que você plantar, não tem jeito de escapar, irá colher.
Voltando a questão principal: a criança nos diz, de todas as formas, melhor do que nós mesmo conseguimos dizer, que ela precisa da mãe. Ela precisa deste amor para pulsar, viver. Precisa de paz, tranqüilidade para crescer saudável, precisa da preparação do solo para florescer na primavera.
Mães de todo o mundo: preste atenção. Seu filho lhe diz, todos os dias, que precisa de você. Não ignore este chamado. Trate o assunto. Responda aos anseios dele. Resolva a situação. Não postergue para depois, pois será tarde. Com certeza, quando seu filho tiver mais idade, ele não dirá todas estas coisas. Terá aprendido, não sei de que forma, a não precisar mais de você. Você continuará sua vida e ele a dele. Vocês irão colher o que plantaram.
Pense, no tanto que ter um filho saudável emocionalmente é importante para você. Pense no porque ele veio ao mundo. Porque você teve um filho e porque todas essas coisas acontecem com você. Pense em como equilibrar sua vida, pense em como administrar suas questões financeiras. Não se limite. Se encare. Tome atitudes. Pense bem. Se olhar pra dentro, verá que não há dúvidas. Entenda suas fraquezas e fortalezas.
As vezes é necessário alguns passos para traz, para firmar o passo e seguir em frente.
Como dizia Chico Xavier: talvez não tenha como fazer um novo começo, mas você pode fazer um novo fim.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
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Um comentário:
Suspiros... Só não ver quem não quer... rs
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